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1 de mar de 2012

História do Shiatsu






Shiatsu

História do Shiatsu

A história do Shiatsu, exige um olhar sobre as técnicas utilizadas na antiga China, local onde nasceram os princípios básicos da medicina oriental. A medicina oriental desde sempre formulou princípios em relação a tudo o que nos rodeia, como é o caso da cultura, arte e da filosofia, sendo estes aceites como universais. Esta forma de pensar passou também para o campo da medicina oriental.

Existem legados acerca da acupunctura que datam de 2500 a.C., mas o tratado mais antigo é o Nei Ching – O Livro do Imperador Amarelo sobre Medicina (Huang Ti Nei Ching Su Wen, nome original), escrito pelo Huang Ti. Esta obra tem um valor enorme para a medicina oriental sendo actualmente utilizado como recurso corrente da medicina oriental.

O Nei Ching apresenta os factores geográficos como estando ligados às patologias apresentadas pelos indivíduos. A medicina oriental apresentava assim dois ramos distintos: o setentrional e a meridional.

O ramo setentrional englobava a bacia do rio Amarelo, onde a vegetação era escassa e o clima frio, onde os tratamentos aplicados envolviam a acupunctura, a moxibustão e a massagem. Já no ramo meridional, temos a região do rio Iangtsé, onde o clima era quente e a vegetação mais predominante assim como uma maior variedade de vida vegetal, estando os tratamentos mais ligados a uma componente herbácea.

Nesta obra a massagem é abordada como sendo o tratamento preferencial do povo da região central da China, visto o seu trabalho não envolver muito esforço nem muito trabalho muscular.
Desta forma, a massagem começa por ser reconhecida como uma das quatro formas clássicas de tratamento médico, juntamente com a acupunctura, a moxibustão e a fitoterapia.

Este tipo de massagem era conhecido como Anma, envolvendo técnicas de fricção e pressão nos locais rígidos do corpo. Contudo, foram precisos muitos anos para se descobrir os pontos eficazes nos tratamentos das diversas patologias.

Mas, com o decorrer dos tempos a massagem Anma foi perdendo o seu valor talvez pelo facto de ser transmitida oralmente, fazendo com que esta técnica fosse tomando um segundo plano na medicina oriental.
  
Foi com Tokujiro Namikoshi que o Shiatsu teve o seu reconhecimento.
Com sete anos Namikoshi tratou com fricções e compressões a Mãe, que sofria de artrite. Mais tarde desenvolveu a sua técnica e em 1925 fundou o Instituto de Terapia Shiatsu, em Hokaido.
Embora o seu contributo, só em 1955 é que o Shiatsu foi aprovado por lei como fazendo parte da massagem Anma.

Mas a implementação do Shiatsu não ficou por aqui, tendo sido no ano de 1964 que esta técnica foi acreditada como uma técnica independente da Anma e da massagem ocidental.


Shiatsu

Shiatsu é uma palavra japonesa composta de dois caracteres (指圧), onde “shi”significa dedo e “atsu” pressão.

Segundo o Ministério de Saúde Japonês:
A terapia Shiatsu refere-se ao uso dos dedos e palma de uma mão para aplicar pressão numa ou mais zonas corporais com o intuito de corrigir o equilíbrio corporal, mantendo e promovendo a saúde. Também é um método que contribui para o tratamento de doenças específicas.
( In: “The Theory and Practice of Shiatsu” publicado pelo Ministério da Saúde do Japão em 1957)

O Shiatsu é visto muitas vezes como a fisioterapia japonesa.

Mas esta terapia tem bases sólidas para a sua resposta terapêutica, pois o tratamento envolve a manipulação do fluxo de energia (Ki) que circula no nosso corpo através de canais ou meridianos.

Ki na medicina oriental tradicional é “uma força de vida” ou “a energia vida” que forma a nossa estrutura física e regula a estabilidade emocional, mental e espiritual.

O fluxo do Ki pode ser perturbado através de vários factores como um trauma externo, tal como um ferimento, ou o trauma interno como a depressão ou o stress.
Através do toque, essencial nesta terapia, a energia vital é regulada fazendo com que o bem-estar físico e psicológico volte ao indivíduo.

Correntes de Shiatsu

Podemos apontar três correntes essênciais de Shiatsu:
- Shiatsu Namikoshi
- Zen Shiatsu
- Shiatsu Serizawa

A base destas correntes essenciais é a mesma, a primeira forma de Shiatsu legislada pelo Ministério de Saúde Japonês, o Shiatsu de Namikoshi. Posteriormente através de estudos outras correntes surgiram dando mais atenção a diferentes técnicas de tratamento corporal.

Basicamente, Namikoshi mostra ser necessário um conhecimento profundo dos sistemas muscular, nervoso, endócrino e da estrutura óssea, sendo este tipo de Shiatsu mais ligado a um bom aquecimento, à pressão e à elaboração de alguns alongamentos.

O Zen Shiatsu foi desenvolvido por Shizuto Masunaga, envolvendo a meditação e o trabalho através de estiramentos e pressão ao longo dos meridianos.

O Shiatsu de Serizawa, trabalha unicamente pontos de pressão, sendo por vezes intitulado de acupunctura digital. Este tipo de Shiatsu, concentra-se predominantemente nas potencialidades terapêuticas dos pontos e pode envolver várias terapias como a massagem, compressão, acupunctura, moxibustão, de entre outros.

Yin e Yang

Tudo começou com o Tao, origem de todos os fenómenos. O Tao manifesta-se como a energia vital, ou Ki.

Ki está presente em todas as coisas, sem um princípio ou um fim. Tudo é Ki, assim como Ki é tudo. Na cultura oriental, tudo aquilo que podemos imaginar é uma manifestação do Ki (espírito, pensamento, amor, pedra, terra, metal, etc), podendo assumir várias formas e fases de materialização.

Ki diferenciou-se em duas forças: Yin e Yang.

Segundo os orientais, Yin era mais condensado e material, acabando por formar a Terra, ao passo que Yang era mais imaterial e vasto acabando por formar o Céu. Yin e Yang acabam por representar uma teoria que explica todos os fenómenos existentes.

Estas duas forças embora opostas complementam-se entre si, basta ver-mos o símbolo Yin e Yang, mas embora opostas não podem existir uma sem a outra, por exemplo não há calor sem frio.

Esta dinâmica mostra-se bastante flexível visto complementar-se entre si. Assim, embora algo seja predominantemente Yin não quer dizer que não possa ser alterado (exemplo: água que se torna em vapor). Como tal, temos uma serie de características associadas a esta teoria:


Yang
Yin
Dia    Noite
Calor    Frio
Verão     Inverno
Seco   Húmido
Ascendente    Descendente
Ativo    Passivo
Exterior Interior
Céu     Terra
Masculino    Feminino
Imaterial    Material


Ao nível de medicina, Yin e Yang são o princípio fundamental ligado ao diagnóstico da manifestação de Ki, contribuindo ainda para descrever a natureza e a localização da patologia.

Assim sendo, no nosso corpo Yin e Yang assumem a seguinte localização e/ou características:


Yang
Yin
Costas Frente
Face exterior dos membros Face interior dos membros
Superfície Profundidade
Parte superior do corpo Parte inferior do corpo
Extroversão Introversão
Mais físico Mais intelecto
Lado esquerdo Lado direito
Agudo Crónico


Todas as pessoas têm uma constituição que se identifica mais como sendo Yin ou Yang, todavia a predominância que se acentua mais no corpo ou na mente acaba por conduzir a um desequilíbrio, revelando sintomas mais Yin ou mais Yang.


Yang
Yin
Stress Cansaço
Tensão Letargia
Super-actividade Sensação de estar “drogado”
Febres Desanimo
Energia bloqueada Energia bloqueada


Os Cinco Elementos

    Como já foi referido, as manifestações da energia Ki assumem muitas formas, caracterizando-se por estádios intermédios dessa mesma manifestação.
    Essa manifestação assume como que a forma de um ciclo, onde temos representado os cinco elementos:

  • Água,
  • Madeira,
  • Fogo,
  • Terra,
  • Metal.

A teoria dos cinco elementos vai buscar a sua base à observação dos ciclos da natureza, assim como dos fenómenos que interagem nesta.
Temos assim, Água, Madeira, Fogo, Terra e Metal.

Esta teoria envolve duas componentes, uma encontra-se relacionada com o agrupamento de fenómenos (correspondência), a outra com o fluxo de energia entre os elementos, com sequências estabelecidas (ciclos).

Cada elemento possui desta forma características, propriedades e qualidades distintas.

O ciclo começa em Água. Aqui Yang transforma-se em Yin, temos o tempo tranquilo e o frio do Inverno. Este elemento caracteriza-se como a espera, a serenidade, o armazenamento.

A energia Madeira, mostra a ascensão, a expansão, o crescimento que expressa a Primavera, quando a própria natureza começa a despertar do Inverno.

Em Fogo a expansão atinge o seu máximo, o seu pico de crescimento, difundindo-se em todas as direcções, é o máximo de Yin. Temos a manifestação do Verão.

A Terra representa o elemento central e equilibrador da energia, temos a fase contractiva do ciclo. Encontra-se associada ao fim do Verão, é a mudança para o seguinte (Verão Tardio).

Metal é o movimento consolidador, este representa o recolhimento da energia no interior das árvores, é o Outono.

As correspondências dos elementos envolvem fenómenos que de certa forma apresentam propriedades energéticas semelhantes.



Elemento
Água
Madeira Fogo Terra Metal
Estação Inverno Primavera     Verão Verão Tardio Outono
Processo armazenamento nascimento crescimento transformação  colheita
Clima frio vento calor  humidade secura


No entanto, quando adaptamos esta teoria ao corpo, mente e espírito humanos, podemos localizar o local, ou locais, onde Ki está desequilibrado assim como os motivos que levaram a esse desequilíbrio.



Elemento

Água
Madeira Fogo Terra Metal

Órgão Yin

Rins Fígado Coração
Pericárdio
Baço Pulmões
Órgão Yang Bexiga Vesícula Biliar Intestino Delgado
Triplo Aquecedor
Pâncreas  Intestino Grosso
Tecido Bexiga Músculos Intestino Delgado
Triplo Aquecedor
Carne Pele


A outra componente desta teoria encontra-se relacionada com a descrição do fluxo de energia, onde temos o ciclo criador e o ciclo controlador. No ciclo criador, cada elemento dá origem a outro: Água origina a Madeira, Madeira origina o Fogo e assim sucessivamente, ao passo que o ciclo controlador representa a maneira como os elementos se limitam entre si, podendo impedir o processo de crescimento. Assim: a Água apaga o Fogo, o Fogo derrete o Metal, o Metal corta a Madeira, a Madeira estabiliza a Terra, a Terra contém Água.


Fogo ar Terra Água Metal
Meridianos

Os meridianos representam canais de energia que temos no nosso corpo e que o percorrem na sua totalidade. Estes formam um conjunto de “linhas” que permitem a passagem de diferentes tipos de energia Ki no nosso corpo.

A cada meridiano temos um órgão associado, exemplo meridiano do Pulmão, meridiano do Coração. Contudo, o meridiano não se encontra relacionado unicamente com o órgão em si mas também com a função que este desempenha a nível energético.

O trajecto dos meridianos tem sido alvo de estudo ao longo dos anos podendo actualmente ser medido com instrumentos electrónicos.


Existem doze meridianos que passam dos dois lados do corpo humano e dois canais centrais.

Os meridianos estão classificados em pares Yin e Yang, por Elementos e ainda por função.

Se observarmos uma pessoa de pé com os braços esticados para cima, os meridianos Yang advêm do “Grande Yang”, o Céu, pela parte posterior (costas) e faces exteriores do corpo, manifestando um movimento descendente. Os meridianos Yin correm do “Grande Yin”, a Terra, pela parte anterior e interior dos membros, num movimento ascendente.

Consequentemente, cada Elemento tem uma propriedade energética que regula uma função. Essa função está relacionada com meridianos que apresentam uma componente Yin e Yang.

Posteriormente, iremos verificar e falar dos desequilíbrios que podem ocorrer nos diferentes meridianos, provocando patologias ou mal-estar.


meridianos


Texto elaborado segundo o "Manual do Curso de Shiatsu" de Carolina Mendão e cedido por:

Sandra Oliveira e Sousa
Terapeuta de Shiatsu - Portugal
 
copiado de Harmoniza.com

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